Contraste

O Uno divide muitas opiniões. Muitos fazem piada a respeito de seu desenho antigo, a qualidade e potência. Outros admiram seu espaço, durabilidade, desempenho e baixo custo de manutenção. Percebeu uma inconsistência aqui?

Algumas críticas fazem sentido, quanto a idade, segurança e design do mesmo(este último vai de cada um). Mas a maioria das críticas são infundadas. Muitos dizem que ele é lento, porém ele já foi o 1.0 mais veloz do mundo (em 92 com o Mille Electronic) e suas versões esportivas eram divertidíssimas (como todo bom esportivo italiano) de se dirigir. Reclamam do espaço, porém ele é maior do que o Palio e inclusive do novo Uno. Foi apelidado de “botinha ortopédica” pelo design quadradão, mas era mais aerodinâmico que o Gol da época e o Palio. Reclamam de “dureza” mas ele tem um dos melhores acertos de suspensão quanto a maciez com estabilidade. Dizem que ele quebra demais, mas o motorista do Mille de taxi que já rodou mais de 330 mil Km não tem muito o que reclamar.

Boa parte da “má fama” é culpa da própria Fiat que não possuía um controle de qualidade adequado no início e só resolvia problemas tardiamente. Porém, se o Uno fosse mesmo tão ruim não estaria há tantos anos entre os mais vendidos. Não seria a escolha de inúmeros frotistas e profissionais que dirigem o dia inteiro. Ser o mais barato do mercado poderia justificar, mas de nada adiantaria se o índice de manutenção e o custo fossem altos. Pra quem precisa do carro o dia todo, um dia parado pode representar um prejuízo considerável. Milhares de pessoas não podem estar erradas.

Não defendo o Mille (para diferenciar do novo Uno) como o melhor compacto, nem como o mais moderno. Mas acho injusto tanta crítica infundada a um carro que mesmo quase 30 anos depois de lançado, ainda atende a necessidade de muitos e ainda supera, em alguns aspectos, concorrentes bem mais novos. Sua falha é quanto a segurança contra impactos, mas creio que isso não o faz desmerecer meu respeito. Não tira o prazer de dirigí-lo, por um lado me faz respeitá-lo, não andar de qualquer jeito igual muitos fazem com carros cheios de aparatos eletrônicos. Apesar da leveza e da disposição do conjunto convidarem pra uma condução mais, digamos, vigorosa.

Em 2014, todos os carros vendidos aqui deverão ter airbag e ABS de série. Muitos comemoram com “o fim do Mille”, a própria Fiat está construindo uma nova fábrica pra seu sucessor. Dá pra colocar ambos nele (a plataforma do Palio foi feita a partir do Uno) mas ficará muito caro.

Uma pena, pois é um dos poucos carros “pau pra toda obra” que tivemos por aqui. Além dele, acho que talvez o Gol G4 e Celta, mesmo assim forçando um pouco a barra. Assim como o Fusca foi criticado pelos mesmos aspectos do Mille, ele colecionou uma legião de fãs e é respeitado pela sua importância. E da mesma forma que o Fusca, se ele se for em 2014 será uma morte prematura, porém restarão muitos ainda em circulação e espero ver muitos deles impecáveis em futuros encontros de antigos e, quem sabe, pra colecionar um dia…

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